quinta-feira, 25 de junho de 2015

O problema das ilhas de calor

Produzidas pelo calor e pela poluição, as ilhas de calor causam diferença entre entre a temperatura do centro e a do entorno


Com os dados do último Censo demográfico de 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculou em mais de 84% a taxa de urbanização do País. Em 1940, a taxa correspondia a 31% e, 30 anos depois, em 1970, era de quase 56%. A evolução dessa taxa mostra que as cidades brasileiras vêm crescendo e expandindo suas áreas urbanas. O crescimento das cidades geralmente ocorre em detrimento das áreas vegetadas. São parcelas agrícolas, sítios, pastagens ou florestas que são substituídos por novos loteamentos, vias de circulação, zonas industriais ou, ainda, pela ocupação espontânea das favelas. 
 
Dessa maneira, toda cidade, quando se expande, altera a cobertura do solo, isto é, o solo onde antes havia vegetação passa a ser recoberto pelos diferentes tipos de materiais usados na construção civil. Muitas consequências derivam dessa alteração. Uma delas é facilmente sentida pelo citadino: a ilha de calor que se manifesta pela diferença de temperatura entre o centro da cidade, mais quente, e seu entorno, mais fresco.
 
A maior cidade do País é um exemplo representativo do processo de crescimento, já que possui uma mancha urbana enorme. Pesquisadores apontam que, em 1965, São Paulo e seus municípios vizinhos contavam com 744 quilômetros quadrados de área urbana. Cálculos feitos em 2010, a partir de imagens de satélite, apontam áreas urbanas espalhadas por, aproximadamente, 80 quilômetros no sentido leste-oeste e 40 quilômetros no sentido norte-sul, que recobrem um espaço superior a 1,9 mil quilômetros quadrados. Nesse gigantismo, áreas urbanas de vários municípios encontram-se conurbadas e abrigam uma população superior a 19 milhões de pessoas. Exemplo de outra região do País, a cidade de Manaus também teve um crescimento significativo. Em 1973, a área urbana era de 91 quilômetros quadrados e, em 2008, de 242. Ela acolhe hoje, segundo estimativa do IBGE, uma população superior a 2 milhões de habitantes.
 
A ilha de calor urbano pode ser resumida sucintamente como o resultado acumulativo de alterações na cobertura do solo e na composição da atmosfera, devido ao desenvolvimento urbano e às atividades humanas. É, portanto, exemplo evidente de uma mudança climática de origem antrópica. Mas como isso acontece?
 
As alterações da cobertura do solo provocadas pela expansão das cidades transformam o balanço de radiação local (veja o quadro). Toda superfície tem a propriedade de refletir, absorver ou transmitir a radiação solar. Ao refletir a radiação, a superfície devolve para a atmosfera a energia incidente. Ao absorver, a energia acumulada estimula uma movimentação molecular que gera o calor que será irradiado. Já nas superfícies transparentes, a energia é transmitida de um meio para o outro. A interação da energia com os diferentes tipos de superfície ocorre segundo os parâmetros físicos dos materiais, favorecendo ora a reflexão da radiação solar, ora a absorção, ora a transmissão. A fração da radiação solar refletida por uma superfície é quantificada pelo albedo (veja o quadro). De um modo geral, as superfícies escuras absorvem a energia e as claras refletem. O asfalto, por exemplo, absorve a energia refletida e se aquece. Uma superfície gramada, ao contrário, reflete mais que absorve.
 
As superfícies urbanas são mais quentes e secas que as superfícies vegetadas. O calor é, evidentemente, o principal ingrediente da ilha de calor urbano, mas não é o único. A secura e a poluição da atmosfera são outros fatores que contribuem para a sua formação.
Nesse fenômeno, o calor provém do aumento da absorção da radiação solar promovido pelos materiais usados em edificações e pavimentações de vias, como cimento, concreto e asfalto, que absorvem a radiação solar e se aquecem. Além de reter o calor, as superfícies urbanas também são secas, porque nas cidades o revestimento do solo é impermeável. Ou seja, a água da chuva não penetra no solo e escoa diretamente para as canalizações. A secura da atmosfera urbana também deriva da falta, nesse espaço, de áreas vegetadas e corpos hídricos. Esses fatos reduzem a evaporação, o que, além de diminuir a quantidade de vapor d’água na atmosfera, deixa energia sobrando no sistema para aquecer ainda mais o ar.
 
As atividades industriais e a intensa circulação de automóveis, ônibus e caminhões também geram uma produção adicional de calor provocada pelos processos de combustão. Esses processos lançam partículas finas na atmosfera, intensificando a poluição do ar e o efeito estufa, que, por sua vez, dificulta a circulação do ar e a dispersão dos poluentes. A cidade possui ainda uma rugosidade, isto é, a presença de edificações. Isso reduz a velocidade média dos ventos, diminuindo a troca de ar entre a cidade quente e as áreas circundantes mais frescas.
 
A diferença entre a temperatura das áreas urbanas, densamente construídas e de tráfego intenso, e a das áreas do entorno, menos densas e mais vegetadas, pode chegar a valores superiores a 10ºC, como apontam as pesquisas sobre São Paulo. Em Manaus, essa diferença é superior a 3ºC em alguns meses do ano. Constatou-se também que, nos últimos 75 anos, a temperatura média de São Paulo ficou 2ºC mais quente. A mesma tendência foi verificada em Manaus: entre 1961 e 2010, a temperatura média da cidade aumentou 0,7ºC.
Pelo mundo, as pesquisas demonstram que a ilha de calor é frequente em cidades grandes e médias. No Brasil, grandes cidades como São Paulo e Manaus, usadas como exemplos neste texto, além de Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Belém e cidades médias como Presidente Prudente, Catanduva, Londrina, Cuiabá e Araçatuba, entre outras, já tiveram suas ilhas de calor estudadas. Nas regiões tropicais, a ilha de calor torna-se um problema evidente de conforto térmico e também econômico, pois provoca a necessidade de refrigerar os ambientes, aumentando o consumo de energia. 
 
Já nas regiões temperadas e frias, a ilha de calor pode vir a ser uma vantagem que contribui para o menor consumo de energia no aquecimento dos ambientes durante o inverno. No entanto, mesmo nessas regiões, a ilha de calor pode ser uma desvantagem no verão se houver intensa necessidade de resfriar os ambientes, fazendo com que a economia feita no inverno seja amplamente ultrapassada no verão. É o caso da cidade de Nova York.
 
Para mitigar os efeitos da ilha de calor, os cientistas são unânimes: é necessário modificar o albedo das superfícies urbanas. Uma medida simples e eficiente é ampliar as áreas permeáveis com vegetação. Plantar árvores, recuperar bosques de vegetação nativa, lagos, criar parques, jardins e aumentar as superfícies hídricas são algumas das ações citadas. O plantio de árvores é essencial no processo de resfriamento da atmosfera urbana, pois auxilia no sombreamento das superfícies, reduzindo seu aquecimento, contribui na filtragem da poluição do ar, na redução da sonora, na criação de hábitats etc. Ainda, as áreas vegetadas favorecem maior infiltração da água de chuva no solo, aumentando a evapotranspiração e, com isso, uma maior quantidade de vapor d’água na atmosfera (veja o quadro). Os materiais usados nas construções urbanas também devem ser escolhidos de acordo com suas propriedades de emissividade e reflectância. 
Outra medida que vem sendo aplicada em algumas cidades, inclusive no Brasil, é a construção dos telhados verdes. Neles, um solo artificial é construído, onde é cultivada uma vegetação específica, com plantas resistentes e de raízes superficiais, que diminuem o aquecimento dos telhados e melhoram o conforto térmico dos edifícios.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O LIXO, ESTADO E PROPRIEDADE. POR RAÚL ALVAREZ

http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=22112&cod_canal=41             
Lixo, Estado e propriedade. Entrevista com Raúl Alvarez

Advogado e licenciado em Ciências Políticas, Raúl Alvarez (foto) dedica boa parte de sua jornada à docência. Sua especialidade é a Teoria do Estado, mas a partir de uma perspectiva crítica, que questiona diretamente o direito de propriedade. Com essa bagagem começou a estudar o lixo, sua relação com o Estado e com a propriedade.  Chegou a esse tema antes do que pela sua inquietude acadêmica, por sua militância social, acompanhando uma organização territorial de José León Suárez, a área onde se localiza um dos aterros sanitários da Ceamse. O produto dessa pesquisa foi uma dissertação de mestrado que depois se tornou o livro “La basura es lo más rico que hay” (Dunken), recentemente publicado.
Eis a entrevista.
Como começou a pesquisa em que se baseia o seu livro “La basura es ló más rico que hay”?
Eu comecei no ano de 2005, como advogado, como militante, e fiquei cativado pelo assunto do lixo. Nesse momento, estava colaborando com a organização territorial Oito de Maio, que está diante do aterro da Ceamse, em José León Suárez. Eles estavam numa situação de conflito com a Ceamse, que havia proposto a instalação de um projeto de separação do lixo. Nesse momento, possuem uma grande desconfiança, pois apontam a Ceamse como o órgão estatal encarregado da repressão nestes lugares, era o inimigo. Eu os acompanhei e comecei a estudar para ver como redigir o convênio. Formulamos um projeto alternativo de convênio, e quando o propusemos à Ceamse, ela se negou sistematicamente em aceitar a cláusula em que se comprometeria a entregar o lixo proveniente dos geradores industriais. Então, eu me perguntei, “se é lixo, qual é o problema? Se eles vão aterrá-lo, por que não querem entregá-lo?” E isto é o que motiva a pesquisa.
Qual a relação entre o lixo e a estrutura da sociedade que o gera?
Uma sociedade que está dividida em classes sociais pela maior apropriação dos meios materiais, entre os que têm e os que não têm, é uma estrutura social que se replica invertida no terreno do lixo. A função do manejo do lixo é resguardar que aqueles que possuem maior propriedade de bens privados continuem conservando esta posição preferencial, inclusive no terreno daquilo que tem valor negativo. Então, se algo tem um valor negativo de mercado ou seu potencial de contaminação torna-lhe negativo, a estrutura social capitalista encaminha isto para o coletivo social. Assim como a sociedade se divide entre proprietários e não proprietários, entre exploradores e explorados, divide-se também entre poluidores e poluídos, entre “lixeiradores” e “lixeirados”. Então, parece-me que o assunto do lixo apresenta, no terreno negativo do valor, a mesma lógica de diferença classista que existe no terreno positivo do valor. Isto me permite reconectar a teoria do lixo, do meio ambiente e da contaminação ambiental, com a teoria crítica da propriedade, permite-me envolver com elementos marxistas a análise da ecologia. Há toda uma corrente de ecologia política que está tentando fazer isto.
A partir de sua investigação, que tipo de relação pode observar entre Estado, lixo e propriedade?
Há várias ideias, uma está ligada a pensar o Estado como uma instância de dominação de classes dentro da sociedade. Agora, como isto se manifesta no mundo do lixo? O Estado é o que absorve essas substâncias, esses materiais perdidos para o conjunto da sociedade e, em particular, para as empresas capitalistas. Então, o Estado funciona socializando as perdas. Aquilo que é lucrativo, a mercadoria, fica dentro do âmbito da propriedade privada, e o que é dano econômico ou ambiental é transferido para a esfera pública. É socializado, sendo deixado no meio ambiente: que é o conjunto da sociedade. Então, trata-se de privatizar lucros e socializar as perdas.
Em relação à propriedade, o direito de propriedade é a possibilidade que uma pessoa tem de excluir o outro do uso e gozo da coisa. O lixo funciona exatamente ao contrário, o lixo é a possibilidade de tornar todos os demais responsáveis por algo que traz danos. Se a propriedade é uma relação de apropriação de um objeto, o lixo é uma relação de desapropriação, é desligar-se e delegar ao coletivo social, por meio do Estado, as perdas que determinados objetos produzem.
No entanto, acontece uma disputa econômica em torno do lixo.
Porque é utilizado como um recurso de poder. A Ceamse, em particular, utiliza o lixo como um recurso para disciplinar os atores sociais que existem aqui no terreno. Porque o lixo em si não existe, o lixo é um fetiche, o que existe é uma quantidade de resíduos de matérias de diferentes tipos. Embora sejam resíduos, pois não se percebe que possuem valor em determinados níveis da sociedade, quando se vai baixando na escala social, o que foi descartado pelo nível superior, possui valor para os que estão abaixo. Por exemplo, uma roupa que alguém com muito dinheiro já mandou para o lixo, serve para mim; o mesmo acontece com outro tipo de produto, sobretudo alimentos. Então, o lixo que se supõe que carece de valor, quando se mescla com a divisão de classes de uma sociedade, para muitos setores sociais, sobretudo para os marginalizados, é um recurso de vida cotidiana.
Por que a Ceamse não queria entregar determinados produtos, como os industriais?
Acredito que um dos motivos é o de proteger alguns geradores privados. Concretamente, há empresas que produzem determinados tipos de resíduos alimentares que não aceitam que a Ceamse os coloquem em recuperação e, então, obriga que a mesma os enviem para o lixo. Nisto, a Ceamse está defendendo diretamente o direito de propriedade do gerador, direito de propriedade que já não está no uso e gozo do objeto, mas na proibição do uso e gozo dos demais. Ou seja, assegura, por exemplo, o direito de uma fábrica de cosméticos, propiciando que esses produtos que são descartados sejam encaminhados diretamente para o aterro, sem ser orientado para ninguém. Porque se os recicladores recolocam os produtos no mercado, entrarão em competição com seus produtos de linha. Além disso, o capital é regido pela lógica da escassez. Então, se você for lucrar com um resíduo que eu gerei, a lógica do capital diz “pague-me, se não eu o enterro”.
Além disso, você disse que o enterramento do lixo também está relacionado com a forma como é concebido.
Claro. O lixo funciona como uma espécie de poder normalizador: é lixo aquilo que fica excluído da ordem, aquilo que é o contrário do higiênico, do socialmente aceito. Então, o lixo vai para tudo o que tem status de exclusão, e forma uma construção imaginária de algo que se supõe infeccioso, gordurento, que adoece, que suja, que infringe a ordem do social. Porém, tudo isto é uma construção, não necessariamente quer dizer que o lixo possa produzir estes efeitos. Acontece que todos nós aprendemos a nos relacionarmos com o lixo desta maneira, todos nós internalizamos a ideia de lixo e desenvolvemos uma construção que é o nojo.
O nojo é algo aprendido, nós não temos naturalmente nojo do lixo. O nojo é o que permite que o fluxo do lixo continue sendo algo rejeitado. Na medida em que há catadores que fazem do lixo seu meio de vida, precisam superar esta fronteira, devem transgredir a linha do nojo, necessitam desfazer a ideia de lixo, porque, caso contrário, não poderiam abrir a sacola de lixo. Bem, ao atravessar esta fronteira, eles estão transgredindo uma norma socialmente aceita. Então, são castigados. São castigados com esta impregnação imaginária de que assim como o lixo é algo anti-higiênico, que suja e que deixa doente, os que lidam com o lixo também teriam esta mesma característica do lixo. Ou seja, que se nossa sociedade converte objetos em lixo, também faz isto com as pessoas que trabalham com ele.
A Ceamse é o dispositivo pelo qual isto se confirma, pelo qual tudo isso que mereceu o status de exclusão será enterrado. A Ceamse defende esta fronteira com vigor. Isto impede a recuperação de resíduos. Isto é um preconceito cultural, de ideia normalizadora do lixo, que impede o avanço na reciclagem. Caso se pense que isso é algo que somente suja, infecta e adoece, não se pode transformá-lo em materiais para reciclar. Caso não se recue da ideia que existe de lixo, não é possível mudar a conduta que temos como consumidores quando compramos, nem quando dispomos o lixo em nossa casa, nem quando o colocamos na rua.
Diferente do restante dos bairros do conurbado, que também conta com aterros sanitários da Ceamse, em José León Suárez não existe uma significativa contestação da vizinhança por questões ambientais. O aterro Norte III é o único com um contingente numeroso de catadores que diariamente acorrem ao lixão. Como acontece esta situação, em que a relação com o lixo não é de rejeição, mas de aceitação?
José León tem essa particularidade, é o único território da província de Buenos Aires em que não rejeitam o lixo, mas, pelo contrário, faz do lixo seu recurso. É uma população de origem social marginalizada, que vive do lixo. Todo este setor social quer continuar tendo acesso aos seus meios de trabalho, e todo o conflito acontece justamente para se ter acesso ao lixo, pois o problema existente é que a Ceamse regula, segura, controla e retira-lhes o acesso ao lixo, utilizando-o como um critério de prêmios e castigos. Àqueles que são mais conciliadores, concedem o melhor lixo, e aos menos conciliadores dão-lhes o pior. Aí, então, está o motivo de conflito. Em outros lugares predomina o conflito ambiental. Aqui, ao contrário, a pobreza tem tal nível que não permite perceber isso. Quando entrevistei o médico do centro de saúde da região, disse-me: “estão doentes, mas não se dão conta, porque são tão pobres que não examinam”. Então, a diferença é que em Villa Dominico, González Catán e Punta Lara, em primeiro lugar, surgem as reivindicações ambientais. Aqui, a reivindicação ambiental não apareceu, o que predomina é o conflito social em torno da apropriação do lixo. Em León Suárez o lixo é considerado um recurso, por isso os catadores lutam para terem o mais livremente possível acesso a esse material.
Em 2004 desaparece Diego Duarte (um jovem catador) no aterro sanitário de José León Suárez. A partir deste fato e da situação de conflito que foi gerada, a Ceamse inicia uma experiência inédita: as instalações sociais de reciclagem, que propicia a participação de várias organizações territoriais da região. Desde então, como se desenvolveu este empreendimento?
Desde 2004, foi ocorrendo uma mudança de tática da Ceamse, não de estratégia. A Ceamse é uma instituição criada pela ditadura, que tem sua marca de origem. Seu objetivo é enterrar resíduos, o que eles sabem fazer é enterrar lixo, existem para isso e querem avançar nesse sentido, e custa-lhes para aceitar toda outra modalidade de tratamento do lixo, que não seja enterrá-lo. Em 2004, a quantidade de catadores era muito alta, o conflito já não permitia que operassem o aterro, porque cortavam a estrada, impediam a entrada de caminhões, os catadores entravam clandestinamente no período noturno e estavam trabalhando todo o tempo.
Então, o presidente da Ceamse, desse momento, Carlos Hurst, empreendeu uma dupla tática. Por um lado, manteve a vigilância armada como uma forma de violência latente permanente, cuidando do lixo como se fosse um tesouro. Porém, sem tirar isso, empreendeu uma tarefa de negociação com pessoas de diferentes organizações territoriais ao redor, propondo montar instalações de reciclagem que fossem uma fonte de trabalho, para que ao invés das pessoas irem para o lixo, trabalhassem no projeto. E então montou o mais importante empreendimento de reciclagem de lixo que temos no país, porque aqui abrem a sacola de lixo para obter o material.
As instalações de reciclagem que existem na cidade de Buenos Aires podem ter maior volume, mas trabalham com material já separado, ao contrário, aqui trabalham com lixo sem a separação. Então, desta maneira foi montado este complexo de novas instalações de reciclagens sociais que empregam em torno de 600 pessoas. São experiências de cogestão entre o Estado e as organizações sociais. Era o Estado que até poucos anos era o inimigo no terreno, ou seja, uma experiência inovadora interessante porque, além disso, é uma experiência de cogestão com uma população marginalizada. Não existe a cultura de classe operária, que podem se organizar numa cooperativa, como nas fábricas recuperadas, mas são pessoas que vêm de formas de trabalho muito individuais, que não possuem mensalidade, que não tem horário, que não tem patrão, que precisam aprender a trabalhar numa linha de produção com horário, salário, autoridade. É um aprendizado importante o que precisam fazer.
Porém, nestas instalações sociais de reciclagem, apesar de ser um empreendimento tão importante em relação ao trabalho com o lixo, a porcentagem do que é reciclado é mínima (em volta de 2% do que entra no aterro). Por que isto acontece?
A porcentagem que será reciclada é definida pela Ceamse, esse é o poder discricionário que existe. No momento, as instalações não possuem mais capacidade de reciclagem. Para se reciclar mais teria que haver mais espaços, que não necessariamente precisem ser instalações como estas, com esteiras transportadoras iguais as dispostas pela Ceamse, poderiam ser barracões com gente trabalhando debaixo e nada mais, sendo muito mais barato. Esse era o projeto original dos catadores, simplesmente que lhes sejam dado o material. Com a finalidade de desfazer o conflito social, foi montado este polo de reciclagem, que demorou vários anos, equilibrando afinidades e dissidências, prêmios e castigos, entre os envolvidos na área.
Isto foi feito porque a Ceamse não pôde evitar que se fizesse, pois foi o critério para resolver a luta dos catadores. Porém, caso se buscasse avançar numa política ambiental de reciclagem, isto poderia ter sido feito de forma muito mais rápida, numa dimensão muito maior, com muito mais fluxo de material para os trabalhadores, para que possam reciclar muito mais. De qualquer forma, esta experiência do projeto de reciclagem gerou, entre os catadores, um ator social organizado, por sorte, montado por esta política da Ceamse. É um efeito não desejado, mas é um exemplo da mudança de relações de poder que as políticas populistas produzem. Porque, neste sentido, a partir do Estado estão baixando, verticalmente, uma medida que organiza os setores populares, que lhes dão um lugar na produção e de luta que é muito forte. Embora não questionem as relações capitalistas de produção, na verdade, as relações de forças no caminho mudaram substancialmente, e o poder de luta que existe é muito maior, sendo a experiência que fizeram muito avançada.
O sistema de aterro está em colapso, algo que está sendo evidenciando pelas denúncias de diferentes grupos da vizinhança e ambientalistas que pedem o fechamento da Ceamse.
E lógico, pois aumenta o consumo e junto aumenta o lixo, então colapsa. Além disso, isto está cruzado com o problema do colonialismo interno que temos, porque os aterros da Ceamse, espalhados pela província de Buenos Aires, só foi possível no contexto de uma ditadura. Nenhum governo democrático teria aceitado ser o lixeiro de outro distrito. Hoje, continuamos tendo isso como obstáculo. Há territórios que estão se sacrificando para sustentar outros em seus níveis de consumo. Parece-me que é preciso revisar isto, porque ninguém quer o lixo do outro.
Autor: Verônica Engler

domingo, 4 de setembro de 2011

O que tá acontecendo?




Aquecimento Global






Reviravoltas no cultivo de alimentos




O aquecimento global pode mudar padrões de produção de alimentos. 

A área de cultivo vai diminuir, principalmente nas latitudes médias e baixas, como as zonas tropicais e subtropicais do planeta, e haverá carência de grãos. As mudanças devem afetar grandes produtores, como a Austrália, Argentina, Brasil e regiões temperadas da Europa. 
Mas, os efeitos serão mais graves na África e na Ásia, onde vive grande parte das pessoas que se dedicam à agricultura de subsistência. Para piorar, a população é uma das pobres e com maior crescimento demográfico do mundo.

Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp e da Embrapa avalia o impacto do aquecimento global sobre a agricultura nacional. Eles calculam que o aumento da temperatura pode provocar uma diminuição das área aptas para o cultivo de grãos e maior pressã sobre a fronteira agrícola entre o Cerrado e a Amazônia. As regiões mais afetadas seraão o Sul, o Sudeste e o Nordeste. Com exceção da cana-de-açúcar e da mandioca, as outras culturas avaliadas ( algodão, arroz, feijão, girassol,milho e soja) podem sofrer queda de produção e migração para locais onde hoje não são cultivadas.

Os pesquisadores argumentam que isso só deverá ocorrer se nada for feito em termos de manejo e proteção do solo, práticas agrícolas mais eficientes e investimento em novas variedades de sementes e de ações voltadas para a redução das queimadas e do desmatamento.


Sal da Terra - Video


O papel dos combustíveis fósseis




Antes da Revolução Industrial, s atividades de produção e prestação de serviços baseavam-se no trabalho dos homens, complementado pela tração animal, pela utilização direta da força da água e do vento e pela queima da lenha e do carvão vegetal. a partir do século XIX, a lenha foi substituída pelo carvão mineral e, mais tarde, pelo petróleo. Essas duas fontes de energia, assim como o gás natural, são combustíveis fósseis formados pela decomposição de matéria orgânica, por meio de um processo de milhoões de anos.

No caso do carvão, trata-se da decomposição e da transformação de plantas mortas, cobertas por depósitos de terra e submetidas a altas pressões. Algas e outros seres microscópicos aquáticos foram soterrados e acabaram se transformando em petróleo. Nesse processo, a decomposição dos organismos também liberou o gás natural.  Relativamente abundantes e ricos em energia calórica, petróleo, carvão e gás foram essenciais para o desenvolvimento de nossa sociedade tecnológica. Mas, como fontes não renováveis ( materiasi não recompostos na natureza na mesma velocidade em que são consumidos), a tendência é se esgotar. Não bastasse isso, o seu uso polui o ambiente e contribui para o aquecimento global. Sem contar que o oxigênio usado na queima desses combustíveis também vem da atmosfera.

Não se espera que os combustíveis fósseis sejam substituídos por uma fonte única de energia, como se imagina. A proposta de uma " revolução energética global " implica no uso de várias alternativas e na redução do consumo.





A Historia das Coisas Dublado 1 2

Carta do Chefe Seatle

Uma declaração de amor ao planeta....





Carta do Cacique americano ao Presidente dos Estados Unidos da América

Em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena Seatle a vender suas terras. Como resposta, o chefe enviou uma carta ao presidente que se tornou famosa em todo o mundo. Seu conteúdo merece uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por todos, por esta e pelas futuras gerações.



Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.
E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo?
Desapareceu.
Onde está a águia?
Desapareceu
É o final da vida e o início da sobrevivência.

Os desafios do pós-consumo






















Um enorme desafio nos tempos modernos é a imensa produção de lixo. Depois de utilizados, a maior parte dos produtos volta à natureza como resíduo, acumulando-se muitas vezes em lixoes, contaminando solos e rios. Uma solução tem sido a deposição do lixo em aterros sanitários, de forma planejada e fiscalizada. O melhor, porém, seria reaproveitá-lo na produção de novos bens, reduzino a sobrecarga dos depósitos. O reaproveitamento do lixo envolve o princípio dos três "R"s: REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR.Significa reduzir a produção, com a adoção de novos hábitos de compra e técnicas industriais; reutilizar as embalagens e objetos de uso cotidiano e retardar o descarte; e, por fim, reciclar o material descartado, transformando os seus componentes em matéria-prima na fabricação de novos produtos.

Sugestões para o dia-a-dia ...




  • Substitua as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes. além de consumir 75% menos energia, elas duram de seis a dez vezes mais que as incandescentes.
  • Use melhor a lus do sol, abrindo janelas, cortinas e persianas. Pinte as paredes internas com cores claras que refletem luz.
  • Não deixe aparelhos de som e tv ligados sem ninguém por perto e evite dormir sem desligá-los.Evite abrir á toa a porta da geladeira e deixe-a em local fresco. Acumule roupas para ligar a máquina de lavar só quando o tambor estiver cheio. Utilize de forma eficiente todos os aparelhos elétricos de sua casa.
  • Tome banhos rápidos, entre oito e dez minutos, no máximo. Isso poupa água e ajuda a diminuir o consumo de energial. Selecione a temperatura "verão" nos dias quentes. O consumo cai até 40 % em relação a temperatura " inverno".
  • Procure utilizar os transportes coletivos e, para distâncias curtas, opte por se deslocar a pé ou bicicleta.
  • Reduza a quantidade de sacolas plásticas de suas compras, utilizando opções de pano ou caixas.
  •  Verifique se sua cidade tem serviço de coleta seletiva e encaminha os produtos para reciclagem. Informe-se sobre os produtos que podem ser reaproveitados ( plásticos, vidros, latas, papéis).
  • Dê preferência aos alimentos in natura, como frutas e verduras. Ponha no prato apenas aquilo que se pretende comer. Evite alimentos enlatados, embutidos e fast-food, pois sua produção, estocagem e conservação consomem mais energia à base de petróleo.
  • Vários produtos de limpeza e higiene contém substâncias tóxicas que demoram a se degradar no meio ambiente. Veja nos rótulos se aqueles que você utiliza podem provocar algum efeito prejudicial ao meio ambiente.
  • Informe-se sobre as políticas ambientais e os impactos dos diversos setores da economia no aumento do aquecimento global e pressione o governo para o cumprimento de medidas que promovam a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas.
Tenha um tempinho para fazer a sua parte....



Para um mundo menos quente

Para reduzir as mudanças climáticas, é necessário adotar atitudes ambientais corretas. As previsões podem ser assustadoras, mas também podem significar uma mudança de perspectiva e trazer os ingredientes de uma sociedade melhor e mais justa.
A decisão de caminhar nesse sentido, envolve custos econômicos, políticos e uma visão de mundo que torne uma realidade os objetivos do desenvolvimento sustentável e os cuidados com o planeta.
Cada um de nós pode se tornar parte de soluções, em nossas decisões sobre os produtos que compramos, a eletricidade que utilizamos, o nosso estilo de vida.As escolhas dependem de nós

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Brasil: Um Planeta Faminto e a Agricultura Brasileira

Vídeo é uma homenagem da BASF ao agricultor brasileiro. Com dados tangíveis e comparações didáticas, mostra a evolução da produtividade, destacando a vocação do Brasil para a produção agrícola. Brasil pode ajudar a alimentar o mundo e ao mesmo tempo preservar suas florestas.

Aquecimento Global. Causas e consequências.

Consequências do Aquecimento Global
O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. Diversas pesquisas confirmam o aumento da temperatura média global. Conforme cientistas do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.

Efeito de Estufa
No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às atividades humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias produz gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas, esse processo causa o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações climáticas são os desmatamentos e a constante impermeabilização do solo.

O degelo é outra consequência do aquecimento global, segundo especialistas, a região do oceano Ártico é a mais afetada. Nos últimos anos, a camada de gelo desse oceano tornou-se 40% mais fina e sua área sofreu redução de aproximadamente 15%. As principais cordilheiras do mundo também estão perdendo massa de gelo e neve. As geleiras dos Alpes recuaram cerca de 40%, e, conforme artigo da revista britânica Science, a capa de neve que cobre o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, pode desaparecer nas próximas décadas.
O Degelo provocado pelas Alterações Climáticas

 Em busca de alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997. Conforme o documento, as nações desenvolvidas comprometem-se a reduzir sua emissão de gases que provocam o efeito de estufa, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta tem que ser cumprida entre os anos de 2008 e 2012. Porém, vários países não fizeram nenhum esforço para que a meta seja atingida, o principal é os Estados Unidos.

Atualmente os principais emissores dos gases do efeito de estufa são respectivamente: China, Estados Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul.

 
Experiência que simula o efeito estufa

Material Necessário:

• 2 copos pequenos com água
• Papel alumínio
• 1 caixa grande de sapatos
• Tesoura
• Filme plástico




Procedimento:
• Forre o interior da caixa com o papel-alumínio. Coloque um dos copos com água dentro da caixa
• Tampe a caixa com o filme plástico. Coloque o segundo copo e a caixa sobe a luz do sol forte, ou de uma lâmpada acesa.
• Após 10 minutos, abra a caixa e sinta com o dedo qual dos dois copos está com a água mais quente.

Observe: ao iluminar a caixa, a luz passa pelo filme e se transforma em calor ao atingir a superfície interna. O ar se aquece e não pode sair da caixa por causa do filme plástico, aumentando a temperatura interna a caixa. Por esse motivo, a água do copo que está dentro da caixa fica mais quente do que a água do copo que está fora.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma Verdade Inconveniente





Título original: (An Inconvenient Truth)
Lançamento: 2006 (EUA)
Direção: Davis Guggenheim
Atores: Al Gore.
Duração: 100 min
Gênero: Documentário

 

 

 

Sinopse

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore apresenta uma análise da questão do aquecimento global, mostrando os mitos e equívocos existentes em torno do tema e também possíveis saídas para que o planeta não passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas.


Download:   http://depositfiles.com/pt/files/7ny6j8mut

Biocombustíveis: recursos renováveis

Conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente 87% de todo o combustível consumido no mundo é de origem fóssil: carvão mineral, petróleo e gás natural. Porém, essas substâncias, além de extremamente poluentes, são finitas, ou seja, irão se exaurir da natureza. Portanto, o desenvolvimento de novos combustíveis, cuja origem seja renovável, é de fundamental importância. Nesse sentido, os biocombustíveis surgem como uma alternativa eficaz.

Os biocombustíveis são fontes de energia renováveis oriundas de produtos vegetais e animais. As principais matérias-primas para a produção são a cana-de-açúcar, beterraba, sorgo, dendê, semente de girassol, mamona, milho, mandioca, soja, aguapé, copaíba, lenha, resíduos florestais, excrementos de animais, resíduos agrícolas, entre outras.

O processamento dessa matéria orgânica origina um óleo, que pode ser misturado aos derivados do petróleo (gasolina, diesel, etc.) ou utilizado puro. Os principais biocombustíveis são: etanol, metanol, biodiesel, bio-óleo, biogás, bioetanol, óleo vegetal e E85. Algumas dessas substâncias possuem uma porcentagem de derivados de petróleo, no entanto, a maioria é formada apenas por produtos de origem vegetal e/ou animal.

Especialistas afirmam que a utilização do biocombustível oferece uma série de vantagens: emite menos gases poluentes durante a combustão, contribui para o aumento de emprego na zona rural, é uma fonte renovável e reduz a dependência de fontes de origem fóssil. Porém, existem opositores ao uso do biocombustível em larga escala. Essa vertente alega que a matéria-prima (alimentos) deveria ser destinada à população, além de uma série de problemas ambientais que podem ser originados pela intensificação das plantações de cana-de-açúcar: perda de nutrientes do solo, erosão, desmatamentos, etc.

O biocombustível é um tema muito importante nas discussões da matriz energética mundial. Sendo assim, ele merece uma análise criteriosa, onde possam ser abordados seus aspectos positivos e negativos.

Fonte: http://www.brasilescola.com/geografia/biocombustiveis.htm


Esta charge mostra, com humor, a situação do aquecimento global sendo neglicenciado em nosso país, devido aos interesses políticos.

http://charges.uol.com.br/2008/04/16/cotidiano-numa-area-degelada/

sábado, 20 de agosto de 2011

"GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO CRIA POLÍTICA ESTADUAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS".

Texto do governo do estado de São Paulo que cria política estadual de mudanças climáticas, traçando nova legislação para os setores produtivos visando:
 - promover o desenvolvimento socioeconômico ambientalmente sustentável;
- estimular projetos de redução de emissões, sequestro ou a remoção dos gases de efeito estufa;
- estimular o consumo e atividades econômicas ambientalmente conscientes;
- estimular o desenvolvimento e o uso de fontes renováveis de energia;
- estimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias, práticas e comportamentos que reduzam a emissão dos gases de efeito estufa;
- definir e aplicar indicadores de metas de desempenho ambiental para os setores produtivos da economia paulista;
- promover a competitividade de bens e serviços ambientais paulistas nos mercados internos e externos;
- criar mecanismos financeiros que possibilitem ao Estado de São Paulo colocar esta nova legislação em prática;

Para alcançar estes objetivos, o Estado também promoverá junto com os setores produtivos, iniciativas que visem fomentar padrões sustentáveis de produção, comércio e consumo, de forma a reduzir a demanda por recursos, estimulando ainda a utilização de materiais de menores impactos ambientais e que gerem menos resíduos, contribuindo assim para a diminuição da emissão de gases estufas.

Analise das Concepcoes de Alunos Sobre Aquecimento Global em uma Sequencia Didatica Elaborada a Partir de uma Situacao-Problema

Este trabalhou procurou analisar as concepções de alunos da 1ª série do ensino médio em uma seqüência didática que teve como objetivo promover a discussão sobre o aquecimento global. A seqüência didática foi elaborada considerando as dimensões epistêmicas e pedagógicas proposta por Mehéut (2005). Na dimensão epistêmica buscou-se a aproximação do conhecimento científico com o mundo real a partir de uma situação-problema e na pedagógica, as atividades realizadas enfatizaram as interações sociais utilizando um método cooperativo. Para a análise foram consideradas algumas atividades propostas, tais como - a apresentação de seminários, a construção de mapas conceituais e as respostas dadas à situação-problema, por dois grupos de alunos. A análise das concepções dos alunos mostrou uma maior compreenssão dos conceitos químicos abordados.
http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=eneq&cod=_analisedasconcepcoesdealunossobreaquecimentogloba